junho 23, 2016

abril 22, 2016

Sadistically it makes me happy

Julianna Barwick - Same

As dimensões do Amor

Robert Sternberg (1988) descreveu três aspetos distintos do amor:

 • Paixão: um estado de intensa excitação e euforia física, cognitiva e emocional.

 • Intimidade: conhecer alguém muito bem, partilhando segredos assim como sexo.

 • Compromisso: cresce gradualmente através de decisões de a díade estar junta, prestação de cuidados mútua, manter segredos, partilhar bens e existência de perdão.

abril 21, 2016

Fresco, fresquinho.

abril 19, 2016

Há uma certa ingenuidade em mim que antes simplesmente não identificava. Em mim residia a crença de que era o melhor de mim, o que me distinguia dos demais e me fazia perceber e sentir todas as vivências, enfim, sentia-me um privilegiado. Voltando à vaca fria, hoje consigo identificar em mim o conceito de ingenuidade, o que até aqui para mim simplesmente não existia, eu acreditava que não havia forma possível de existir uma palavra que incluísse uma conotação negativa que caracterizasse tal traço com a palavra ingenuidade, simplesmente não existia. Exacto...não existia, passado, hoje, é uma realidade que me foi dada a conhecer pelo julgamento social sobre esta característica que teima -mesmo que saibas que é uma invenção de quem não acredita- em te relembrar que esta é infantil, idealista e tudo que assim é no mundo da formalidade e pragmatismo é considerado uma fragilidade. Apesar de toda esta consciência, deixei-me vencer e hoje vivo e criei um paradoxo que aceito e ao revisitar as memórias deixadas neste espaço censuro-me e acho-me ridículo pois vejo essa palavra a cada canto, cada esquina, inclusivé no meio desta última reflexão.

fevereiro 25, 2016

A Cultura propriamente dita não tem que ser erudita, não tem que ser necessariamente livresca, falo, assim, de uma cultura que implica um saber, aprendido e vivido através do nosso quotidiano.

janeiro 09, 2016

Registou-se muito pouco em 2015, pelo menos aqui. Não quer dizer todavia que não tenham havido vicissitudes. Talvez a arte de superar simplesmente já não seja a de outrora. Com isto talvez se queira dizer que agora já não se consiga recuperar tão rapidamente a caminhada e posse de desfile triunfante após dura batalha. Aparentemente -por aqui- continua-se nas trincheiras a tentar aceitar e a perceber o número de mortes.

outubro 28, 2015

re-ajuste

Ela tememos, do seu cruzar resulta a consequência de aprendermos a esmiuçar, a alimentar o ego, a Amarmo-nos. Não o chamarei de um reencontro mas sim de uma personalidade onde desconheciamos a sua ausente existência; Ainda assim, concluo que somos ingratos, ao sendo posteriormente tomada a decisão de fugir o mais rapidamente possível de um serviço que nos foi prestado, pagando apenas o valor em que interessa a fuga ao imposto. Mais tarde, como que acto masoquista, queremos lá voltar ignorando a carga fiscal que tal irá representar e assim reencontrar o expoente máximo que só ela nos faz explorar, solidão. Helder Aires

outubro 14, 2015

outubro 11, 2015

Senhor António:

O senhor nunca há-de ver esta carta, nem eu a hei-de ver segunda vez porque estou tuberculosa, mas eu quero escrever-lhe ainda que o senhor o não saiba, porque se não escrevo abafo.

O senhor não sabe quem eu sou, isto é, sabe mas não sabe a valer. Tem-me visto à janela quando o senhor passa para a oficina e eu olho para si, porque o espero a chegar, e sei a hora que o senhor chega. Deve sempre ter pensado sem importância na corcunda do primeiro andar da casa amarela, mas eu não penso senão em si. Sei que o senhor tem uma amante, que é aquela rapariga loura alta e bonita; eu tenho inveja dela mas não tenho ciúmes de si porque não tenho direito a ter nada, nem mesmo ciúmes. Eu gosto de si porque gosto de si, e tenho pena de não ser outra mulher, com outro corpo e outro feitio, e poder ir à rua e falar consigo ainda que o senhor me não desse razão de nada, mas eu estimava conhecê-lo de falar.

O senhor é tudo quanto me tem valido na minha doença e eu estou-lhe agradecida sem que o senhor o saiba. Eu nunca poderia ter ninguém que gostasse de mim como se gostasse das pessoas que têm o corpo de que se pode gostar, mas eu tenho o direito de gostar sem que gostem de mim, e também tenho o direito de chorar, que não se negue a ninguém.
Eu gostava de morrer depois de lhe falar a primeira vez mas nunca terei coragem nem maneiras de lhe falar. Gostava que o senhor soubesse que eu gostava muito de si, mas tenho medo que se o senhor soubesse não se importasse nada, e eu tenho pena já de saber que isso é absolutamente certo antes de saber qualquer coisa, que eu mesmo não vou procurar saber.

Eu sou corcunda desde a nascença e sempre riram de mim. Dizem que todas as corcundas são más, mas eu nunca quis mal a ninguém. Além disso sou doente, e nunca tive alma, por causa da doença, para ter grandes raivas. Tenho dezanove anos e nunca sei para que é que cheguei a ter tanta idade, e doente, e sem ninguém que tivesse pena de mim a não ser por eu ser corcunda, que é o menos, porque é a alma que me dói, e não o corpo, pois a corcunda não faz dor.
Eu até gostava de saber como é a sua vida com a sua amiga, porque como é uma vida que eu nunca posso ter — e agora menos que nem vida tenho — gostava de saber tudo.

Desculpe escrever-lhe tanto sem o conhecer, mas o senhor não vai ler isso, e mesmo que lesse nem sabia que era consigo e não ligava importância em qualquer caso, mas gostaria que pensasse que é triste ser marreca e viver sempre só à janela, e ter mãe e irmãs que gostam da gente mas sem ninguém que goste de nós, porque tudo isso é natural e é a família, e o que faltava é que nem isso houvesse para uma boneca com os ossos às avessas como eu sou, como eu já ouvi dizer.

Houve um dia que o senhor vinha para a oficina e um gato se pegou à pancada com um cão aqui defronte da janela, e todos estivemos a ver, e o senhor parou, ao pé do Manuel das Barbas, na esquina do barbeiro, e depois olhou para mim, para a janela, e viu-me a rir e riu também para mim, e essa foi a única vez que o senhor esteve a sós comigo, por assim dizer, que isso nunca poderia eu esperar.

Tantas vezes, o senhor não imagina, andei à espera que houvesse outra coisa qualquer na rua quando o senhor passasse e eu pudesse outra vez ver o senhor a ver e talvez olhasse para mim e eu pudesse olhar para si e ver os seus olhos a direito para os meus.

Mas eu não consigo nada do que quero, nasci já assim, e até tenho que estar em cima de um estrado para poder estar à altura da janela. Passo todo o dia a ver ilustrações e revistas de modas que emprestam à minha mãe, e estou sempre a pensar noutra coisa, tanto que quando me perguntam como era aquela saia ou quem é que estava no retrato onde está a Rainha de Inglaterra, eu às vezes me envergonho de não saber, porque estive a ver coisas que não podem ser e que eu não posso deixar que me entrem na cabeça e me dêem alegria para eu depois ainda por cima ter vontade de chorar.

Depois todos me desculpam, e acham que sou tonta, mas não me julgam parva, porque ninguém julga isso, e eu chego a não ter pena da desculpa, porque assim não tenho que explicar porque é que estive distraída.
Ainda me lembro daquele dia que o senhor passou aqui ao Domingo com o fato azul claro. Não era azul claro, mas era uma sarja muito clara para o azul escuro que costuma ser. O senhor ia que parecia o próprio dia que estava lindo e eu nunca tive tanta inveja de toda a gente como nesse dia. Mas não tive inveja da sua amiga, a não ser que o senhor não fosse ter com ela mas com outra qualquer, porque eu não pensei senão em si, e foi por isso que invejei toda a gente, o que não percebo mas o certo é que é verdade.

Não é por ser corcunda que estou aqui sempre à janela, mas é que ainda por cima tenho uma espécie de reumatismo nas pernas e não me posso mexer, e assim estou como se fosse paralítica, o que é uma maçada para todos cá em casa e eu sinto ter que ser toda a gente a aturar-me e a ter que me aceitar que o senhor não imagina. Eu às vezes dá-me um desespero como se me pudesse atirar da janela abaixo, mas eu que figura teria a cair da janela? Até quem me visse cair ria e a janela é tão baixa que eu nem morreria, mas era ainda mais maçada para os outros, e estou a ver-me na rua como uma macaca, com as pernas à vela e a corcunda a sair pela blusa e toda a gente a querer ter pena mas a ter nojo ao mesmo tempo ou a rir se calhasse, porque a gente é como é e não como tinha vontade de ser.

(…)

- e enfim porque lhe estou eu a escrever se lhe não vou mandar esta carta?

O senhor que anda de um lado para o outro não sabe qual é o peso de a gente não ser ninguém. Eu estou à janela todo o dia e vejo toda a gente passar de um lado para o outro e ter um modo de vida e gozar e falar a esta e àquela, e parece que sou um vaso com uma planta murcha que ficou aqui à janela por tirar de lá.

O senhor não pode imaginar, porque é bonito e tem saúde o que é a gente ter nascido e não ser gente, e ver nos jornais o que as pessoas fazem, e uns são ministros e andam de um lado para o outro a visitar todas as terras, e outros estão na vida da sociedade e casam e têm baptizados e estão doentes e fazem-lhe operações os mesmos médicos, e outros partem para as suas casas aqui e ali, e outros roubam e outros queixam-se, e uns fazem grandes crimes e há artigos assinados por outros e retratos e anúncios com os nomes dos homens que vão comprar as modas ao estrangeiro, e tudo isto o senhor não imagina o que é para quem é um trapo como eu que ficou no parapeito da janela de limpar o sinal redondo dos vasos quando a pintura é fresca por causa da água.

Se o senhor soubesse isto tudo era capaz de vez em quando me dizer adeus da rua, e eu gostava de se lhe poder pedir isso, porque o senhor não imagina, eu talvez não vivesse mais, que pouco é o que tenho de viver, mas eu ia mais feliz lá para onde se vai se soubesse que o senhor me dava os bons dias por acaso.

A Margarida costureira diz que lhe falou uma vez, que lhe falou torto porque o senhor se meteu com ela na rua aqui ao lado, e essa vez é que eu senti inveja a valer, eu confesso porque não lhe quero mentir, senti inveja porque meter-se alguém connosco é a gente ser mulher, e eu não mulher nem homem, porque ninguém acha que eu sou nada a não ser uma espécie de gente que está para aqui a encher o vão da janela e a aborrecer tudo que me vêm, valha me Deus.

O António (é o mesmo nome que o seu, mas que diferença!) o António da oficina de automóveis disse uma vez a meu pai que toda a gente deve produzir qualquer coisa, que sem isso não há direito a viver, que quem não trabalha não come e não há direito a haver quem não trabalhe. E eu pensei que faço eu no mundo, que não faço nada senão estar à janela com toda a gente a mexer-se de um lado para o outro, sem ser paralítica, e tendo maneira de encontrar as pessoas de quem gosta, e depois poderia produzir à vontade o que fosse preciso porque tinha gosto para isso.

Adeus senhor António, eu não tenho senão dias de vida e escrevo esta carta só para a guardar no peito como se fosse uma carta que o senhor me escrevesse em vez de eu a escrever a si. Eu desejo que o senhor tenha todas as felicidades que possa desejar e que nunca saiba de mim para não rir porque eu sei que não posso esperar mais.
Eu amo o senhor com toda a minha alma e toda a minha vida. Aí tem e estou a chorar.

outubro 10, 2015

"it was dark as december and the sun was on the run"

outubro 07, 2015

As pessoas fogem do passado, daquilo que viveram no constrangimento, é aparentemente mais fácil. A questão que aqui coloco centra-se na arte de repassar, não de reviver. Repassar é desconstruir tudo e perceber eventualmente o que correu mal no sentido de reconstruir, de não repetir no futuro ou na melhor das hipóteses de resgatar um passado.  O desenvolvimento desta capacidade permite-nos então uma maior compreensão sobre o vivido e possivelmente uma maior aceitação. Isto implica poder viver no "aqui agora" sem sentimentos e pensamentos pendentes do "então e ali".


Helder Aires

"Make her better"

abril 09, 2015

Émile Durkheim

abril 08, 2015

março 18, 2015

Peter, Bjorn

fevereiro 22, 2015

fevereiro 03, 2015

Para entender do que se subentende

Janeiro fora, mais uma hora.

dezembro 28, 2014


"Richard considerava a sua solidão algo sagrado. Como uma merecida condecoração. Uma capa usada para afastar a vida. Era a sua proteção. A solidão era quem ele era. Isso fazia com que todos ao seu redor o vissem com um desprezo mal disfarçado. Richard tinha certeza de que ninguém gostava dele. Isto é difícil para um homem. Talvez pelo facto de ele não dar nada, ele não recebesse nada em troca. Em todo o caso, a sua situação tornou-se intolerável. Os seus amigos mais próximos ou eram imaginários ou extintos. Richard, chegou a um pnto de sua vida em que isso já não bastava."